Prancheta tática: O segredo do Boa Esporte.

O Boa Esporte é a grande surpresa deste Campeonato Brasileiro da Série B. Ocupando a quinta posição e mirando o G4 do torneio, o Tricolor Varginhense entrou como candidato ao rebaixamento, e pode sair comemorando o acesso.

Sob o comando do técnico Nêdo Xavier, o Boa tem se armado num interessante 4-3-1-2. Mas antes de comentar o panorama atual da equipe, vamos relembrar e analisar a escalação da estreia da equipe (que ainda se chamava Ituiutaba) na derrota para o Paraná Clube em Varginha por 2 a 1:


Perceba que trata-se de um 4-4-2 ortodoxo. Luiz Henrique era o goleiro, titular absoluto e remanescente da equipe do Ituiutaba que conquistou o acesso para a Série B. Embora tenha sido titular no jogo de ontem contra o Salgueiro, é o reserva do jovem Luís Fernando. Na defesa, Jáckson é o titular absoluto, porém, devido a uma fratura na clavícula no jogo contra o ASA, desfalca a equipe atualmente. A dupla de zaga segura permanece, com Thiago Carvalho e Carciano. Na lateral esquerda, jogava Júlio César Santos. Jogador alto, de porte físico elevado, de muita velocidade e entrega, compensando a carência técnica. Porém, o atleta não faz mas parte do elenco boveta, tendo sido dispensado por indisciplina, juntamente com o atacante Marclei. Segundo a diretoria, os jogadores não costumavam cumprir os horários propostos da programação da equipe.
A dupla de volantes apresenta Claudinei, volante muito marcador que joga mais próximo dos zagueiros, e impressiona pelo vigor físico. Seu companheiro é Olívio, atual lateral direito da equipe, improvisado após a contusão de Jackson e a saída de Carlos César para o Atlético Mineiro. As boas atuações ainda rendem a titularidade a Olívio, mesmo dispondo de Totonho no banco de reservas para a posição. Olívio se trata do "curinga" da equipe, visto que já fora improvisado até como zagueiro. Porém, é notório desde a estreia que o jogador além de cobrir as descidas de Jáckson conseguia realizar boas jogadas pelo setor.
A carência maior estava no meio campo. Jean Cléber, volante de ofício, atuava como meia ofensivo. Tinha velocidade, mas faltava visão de jogo e aproximação no ataque. Seu parceiro era Marcôni, jogador que não se firmou no elenco da equipe, devido a suas contestadas atuações. A dupla era responsável por abastecer os atacantes, Júlio César Souza, atacante experiente, de toque de bola refinado e preciso, que pediu dispensa da equipe boveta, e o centro-avante Paulão, artilheiro do Módulo II (equivalente a segunda divisão) do Campeonato Mineiro, que fazia a referência, e era o matador nato da equipe. Paulão foi emprestado para o futebol chinês, onde segue até hoje.

A defesa do Boa sempre se destacou. Porém, a equipe decolou quando ajustou a meia cancha. Isso se deve a chegada de dois jogadores chave para a equipe. O volante Moisés, vindo do América Mineiro, e o meia Carlos Mágno, que veio do Uberlândia. Moisés atua como um elemento surpresa, um volante marcador, mas que também aparece no campo de ataque. Enquanto Carlos Magno é o típico camisa 10 articulador, que dita o ritmo na meia cancha. Acompanhe agora a escalação do Boa que venceu o Goiás em Varginha na rodada retrasada:


Na prancheta tática, notamos a presença de um 4-3-2-1. O jovem Luís Fernando, que veio do Red Bull Brasil, barrou o experiente Luiz Henrique no gol. Na defesa, o volante Olívio segue improvisado na lateral direita, enquanto a dupla de zaga, Thiago Carvalho e Carciano, permanece inalterada. Na lateral esquerda, o incansável Marinho Donizete. Destaque do Ipatinga, onde atuou por cinco temporadas, Marinho estava no  Criciúma, e logo em sua chegada, deu outra cara à equipe, com seu apoio ao ataque e forte marcação. Até a sua vinda, o volante Higo atuava improvisado no setor. No meio campo, notamos Claudinei atuando mais próximo dos zagueiros, auxiliado por 2 volantes. Jean Cléber, agora atuando em sua devida posição, e o destaque Moisés. Perceba a sua versatilidade, cobrindo as investidas de Marinho Donizete, fazendo a marcação pelo meio e ainda apoiando o ataque, chegando como um terceiro atacante pela ponta esquerda. No meio, temos a presença de Carlos Magno, o articulador, responsável por ditar o ritmo da equipe. Na frente, Wáldison, atacante veloz, que atua como um legítimo ponta direita. Devido a dois pênaltis perdidos e fracas atuações, Wáldison amargou a reserva do Boa por duas partidas, sendo substituído por Ramón. Em sua nova "chance", o jogador se transformou num talismã tático para Nêdo Xavier, não apenas atacando, mas voltando para recompor a marcação. Seu parceiro de ataque é o centro-avante Jheimy, que veio do Atlético Mineiro. Jheimy veio suprir a falta de um cabeça de área matador, que o Boa não tinha desde a saída de Paulão.

Um dos grandes triunfos do Boa é a correria incansável. Aos olhares leigos, um puro fundamento. Porém, no olhar tático, percebemos que isto só é proporcionado devido ao posicionamento dos jogadores. O fato de Olívio ser um volante contribui para a contensão dos ataques pela direita. O fato de Jean Cléber atuar como volante de ofício proporciona mais pegada e marcação incansável no meio. Moisés teria mais liberdade para chegar ao ataque, mas consegue ainda efetuar a marcação e cobrir as investidas de Marinho Donizete. A atuação de um camisa 10, de cabeça erguida, como faz Carlos Magno, permite que Waldison e Jheimy sejam devidamente abastecidos. Ou seja, o técnico Nêdo Xavier, dá uma aula de conhecimento tático, e mostra ter encontrado uma escalação compatível com o elenco do Boa. O resultado é evidente: um time que entrou para não cair, e pode sair com o acesso em mãos.

Espero que tenham gostado do Prancheta Tática. Em breve voltaremos com mais análises táticas para você acompanhar.

Por: Marcos Vieira Ribeiro (Guarulhos-SP)
Twitter: @Vierimark

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