[Fluminense 5 X 4 Grêmio] - O impossível aconteceu.

Quarta-feira, dia 16 de novembro de 2011 numa noite fria e chuvosa, às 20h30 estava eu indo para uma batalha sem saber ao certo se chegaria logo mais em casa cabisbaixo, ou simplesmente feliz. Quando cheguei ao estádio, deparei-me com poucos torcedores nas arquibancadas. Também pudera; depois de uma derrota lamentável do último jogo era certo que poucos torcedores estariam presentes acreditando no time. Pensei que seria apenas mai um jogo típico de campeonato. Mas não foi nada disso que aconteceu. Foi muito mais, além disso. 

Uma vitória para ficar marcada por muitos e muitos anos na história do Fluminense. O que era um desastre no último jogo, ontem foi diferente. Uma partida que destoava da última. Uma mistura de emoções que só o torcedor do Fluminense sabe perfeitamente como é. Só quem já viveu noutras tantas partidas épicas sabe o que estou falando. Os poucos torcedores foram do céu ao inferno pelo menos duas vezes. Não há coração que coexista tanta emoção e frustração.

Na primeira etapa, o Fluminense chegou com pressão para cima do adversário impondo o respeito. Mas numa das chegadas do Grêmio surgiu um gol de escanteio inesperado. Numa falha displicente do goleiro Cavalieri originou-se o primeiro dos nove gols que estavam por vir. Mas nada que nos puséssemos a baixo. Pelo contrário, o time se pôs numa entrega incomensurável. Neste momento pressentia que algo de bom estava por vir. O gol estava amadurecendo aos poucos. Foi dito e feito. Não demorou muito para chegar o empate. Fred bem posicionado cabeceou para o fundo da rede após a cobrança de Marquinho. O time ficou satisfeito com o resultado e deixou o adversário tomar a iniciativa, e a gostar do jogo. Nos minutos finais a equipe gremista conseguiu desempatar com um gol de falta. Mais uma vez numa falha de posicionamento da barreira.


Digo e reafirmo: a essa altura já estava apostando numa virada épica da equipe tricolor. No intervalo o técnico Abel Braga optou em não mexer no time para a revolta da torcida. O time era o mesmo do primeiro tempo, mas com um ingrediente a mais: a perseverança. Não obstante, o Fluminense logo arrancou o empate com o gol do apagado Rafael Sóbis de fora da área. Nesse momento, a torcida não parava de cantar incessantemente. Não deu outra. Fred mais uma vez bem posicionado recebeu um lançamento magistral do também apagado Deco que o deixou cara a cara com o goleiro. O centroavante matou a bola e chutou confiante para o fundo da rede. Marcando 3 a 2. O tricolor se pôs recuado em campo novamente. Minutos depois surgiu o gol de empate de cabeça da equipe gaúcha. Dois minutos depois o gol da virada do adversário com um belíssimo chute de fora da área.

Um amigo do meu pai já me acenava com os braços que estava tudo terminado, e foi-se embora. Convenci os demais amigos a ficarem, pois ainda acreditava no improvável. Mais uma vez, não deu outra. Logo surgiu um pênalti. Mais um momento de alento a todos os torcedores. Gol de Fred. O gol do empate. Naquele momento o estado emocional da torcida tinha ido do céu ao inferno. Não tinha mais voz para cantar. Deco, no entanto, havia se apresentando mais que no primeiro tempo. Não tive dúvidas que ainda dava tempo para mais uma virada antológica. Não estava ciente de quanto tempo faltava para o término. Então, comecei a perguntar a todos que estavam a minha volta quanto tempo ainda restara. Ninguém soube me responder.

O nosso maestro soube valorizar a bola e acabou recebendo a falta. No cruzamento a bola resvalou-se no zagueiro e sobrou para quem? Para o iluminado da noite. Daquela noite chuvosa e fria. Fred, isso mesmo. O atacante matou a bola no alto, virou-se. e a colocou no canto direito do goleiro marcando seu quarto gol na partida. Parado, o goleiro nada fez. O delírio a essa altura dos torcedores já era demais. O coração já não aguentava tamanha emoção. Entramo-nos em estado de catarse; comemorei veementemente sem parar; pulando e cantando. Naquele momento o impossível aconteceu.

Quando soube dos seis minutos de acréscimos a aflição predominava o meu ser. Cada minuto se arrastava por horas. Parecia que o jogo iria terminar lá pela meia-noite. A sensação foi de que haviam decorrido três horas de jogo. Ou seja, era muita emoção alienada com muita adrenalina. Quando finalmente, soava timidamente em meio ao barulho da torcida o apito final. Uma noite de bênçãos pairava sobre o Engenhão. Uma noite antológica havia se consagrado. Enfim, o impossível se fez presente.

Nos acréscimos, Fred ainda perdeu duas outras oportunidades. Matheus Carvalho, querendo mostrar seu futebol, acabou se excedendo e chutando para cima do goleiro. Poderia ser uns 7 a 4. Mas, naquela altura, já estava satisfeito com o placar.

Confira os gols da virada épica do Flu abaixo:


Saudações Tricolores!

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