Divulgado no último dia útil de abril, o balanço anual do Flamengo apresenta um rombo nos cofres do clube. O passivo é de R$ 432 milhões, e a folha salarial do futebol flutua, segundo a diretoria, acima dos R$ 5 milhões por mês. Os números, no entanto, não assustam quem toma conta do caixa da Gávea. Pelo menos é o que garante o vice de finanças, Michel Levy. Se a oposição se baseia na saúde financeira para dizer que o clube está mal das pernas, Levy, dirigente que ficou conhecido por participar ativamente do dia a dia do futebol e bater de frente com Vanderlei Luxemburgo, não teme cair do cavalo galopante das dívidas.
- De 2010 para cá não dá para mudar muita coisa. Você freou o cavalo. Agora, começamos a avançar, tentando galopar. De 2011 para 2012 será possível dar equilíbrio e avançar. Estamos colhendo um pedacinho, o paçocão vem no ano que vem.
O dirigente analisa os números pelo lado positivo e apresenta argumentos para provar que o Flamengo enxerga luz no fim do túnel, ou do cofre. Levy comenta os aumentos dos impostos em dia que pularam de R$ 50 milhões em 2010 para R$ 72 milhões no ano seguinte, diz que fez acordo em contrato para receber cotas da televisão antecipadamente sem necessidade de aprovação do Conselho do clube. Admite também, sem se aprofundar, que os gastos mensais atingem R$ 10 milhões com folha salarial de todo o clube, garante que o futebol gasta pouco acima de R$ 5 milhões por mês e diz:
- Não é barata, não (folha do futebol). É cara pra cacete, mas não é de R$ 8 milhões como chegaram a dizer.
Michel Levy, que chama atenção por participar efetivamente do futebol rubro-negro, é conhecido na Gávea pelo tom de voz elevado. Ao adentrar o corredor da Gávea, alguns de seus funcionários já sabem da presença do vice de finanças. Quando está na sede do clube, o dirigente sempre tem uma fila em sua antessala.
Deivid e Ronaldinho Gaúcho são alguns dos credores. O primeiro cobra na Justiça uma dívida apontada em R$ 6 milhões; já o camisa 10 diz ter cerca de R$ 5 milhões a receber.
- O Flamengo deve a essas pessoas. Mas dever não quer dizer que não vamos pagar.
Para explicar os números, Levy conta com o apoio de William Pereira dos Santos, que trabalhou de 1999 a 2002 como gerente financeiro remunerado do então presidente Edmundo dos Santos Silva - afastado após processo de impeachment por conta de negociações mal esclarecidas com a falida ISL. William chegou a mover ação trabalhista contra o Flamengo. Agora, diz:
- É notória a recuperação financeira do clube. Só um cego ou político não enxerga.
Levy completa:
- Apesar de os números serem maiores no endividamento, na correção automática da dívida, o endividamento é menor correspondente aos anos anteriores.
Fonte : Globo Esporte
@SyllasSousa

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