São Luís, 1981. Nascia o Gigante do Outeiro da Cruz, um estádio para 75 mil pessoas. O Nhozinho Santos, com capacidade para 20 mil torcedores, tinha ficado pequeno para os clássicos locais e os jogos contra os grandes times do Campeonato Brasileiro.
- O futebol maranhense viveu uma fase técnica bem melhor e não havia também no mesmo período, o mesmo número de concorrência em termos de lazer nas tardes de domingo. Então o futebol era a principal atração naquela época aqui em São Luís – apontou o cronista Neres Pinto.
No dia 1º de maio de 1982, a bola finalmente rolou. O meia Evandro, do Maranhão, marcou no Torneio do Trabalhador, o primeiro gol da história do Castelão. Mas o primeiro título foi do Sampaio, que venceu o torneio.
Após quatro dias, uma outra festa marcou a inauguração do novo estádio. Só que essa já começou no aeroporto do Tirirical com a recepção dos jogadores da Seleção Brasileira, na preparação para a Copa da Espanha.
- Naquela época o Nhozinho Santos já era pequeno para os jogos mais importantes, como Moto e Sampaio, e para as partidas pelo Campeonato Brasileiro, o estádio já não comportava. Havia então a necessidade do Castelão – lembra o comentarista da Mirante AM, Hebert Fontenelle.
Na hora da partida, Zico e cia não decepcionaram os 75 mil torcedores que foram ao Castelão. O Brasil venceu o amistoso contra Portugal por 3 a 1. A Seleção Brasileira ainda voltaria mais três vezes à São Luís. Na última, em novembro de 2001, foi histórica. Era a última partida da difícil caminhada nas eliminatórias para a Copa Japão-Coréia.
A vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela acabou com o drama e garantiu a participação da Seleção Brasileira, no Mundial. Em 2002 o Brasil seria pentacampeão Mundial, mas até hoje o torcedor maranhense não teve a chance de ver novamente um jogo da Seleção Brasileira.
Isso porque em março de 2004, o Castelão foi interditado. O Setor 1 das arquibancadas estava comprometido com a erosão, que atingia os pilares. As alegações de falta de verbas para a recuperação do estádio tiraram de São Luís a chance de ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.
Ficou o desejo para a volta dos gols no estádio. E quem mais fez gols no Gigante do Outeiro da Cruz, foi o centroavante Bacabal, com quase 200, até a década de 1990. Em 2006, o ex-atacante foi convidado para voltar ao palco de tantos gols, nem quis entrar. A tristeza pela interdição era maior.
- Que o futebol maranhense resgata aqueles bons tempos, em que se tinha os jogos no Castelão, com casa cheia. Isso é que eu torço para que os dirigentes façam com os nossos times – disse o ex-atacante Bacabal.
Outro jogador com história no Castelão aceitou o convite. Raimundinho foi o destaque do Moto, no primeiro título do Campeonato Maranhense no estádio, em 1982. Uma campanha construída com grande participação do ex-meia. Mas ele confessa, era fácil jogar no gramado do Castelão.
- Até cair no Castelão era gostoso, não dava nem vontade de levantar, porque o gramado era um espetáculo. Eu lembro de uma vez, que nós fomos jogar contra o Bahia e o Dadá Maravilha falou assim 'em um campo desses, quem der canelada tem que sair' – lembra o ex-jogador Raimundinho Lopes.
Mas em 2008, o antigo campo dos sonhos era um pesadelo. Raimundinho, que melhor tratou a bola no gramado do Castelão, não escondeu a tristeza ao ver como tudo estava.
- Quando vem na nossa memória o que era o Estádio Castelão e o vê nessa situação, dói muito. É uma dor muito profunda.
Mas enfim, a recuperação do estádio começou. Em 2011, projetos foram anunciados e os trabalhos começaram a ser feitos. Foi a vez, então, de outro jogador com história no estádio, fazer uma rápida visita.
Este não mandava as bolas para a rede, tratava de afastar as tentativas. Juca Baleia, goleiro tricampeão maranhense de 1990 a 92.
- Nós esperamos que na volta do Castelão, a verdadeira torcida maranhense volte ao estádio. Se fizerem um bom time também, que se não fizer um bom time, a torcida não volta - Juca Baleia
Mas será que a prometida volta do Castelão, ainda em 2012, revitalizará o futebol maranhense em São Luís? Afinal, os jogos do Campeonato Maranhense no Nhozinho Santos, tem média de 4 mil pagantes, quando acontecem os clássicos. Além disso, o Estado não possui nenhum representante nas principais divisões do Campeonato Brasileiro.
- O Castelão, se for reaberto este ano, como é esperado, será um grande reforço para os jogos de Copa do Brasil e, principalmente, caso o Sampaio avance na Série D, chegue às semifinais da Série D, logicamente a gente pode esperar o Castelão lotado – aponta o repórter da Mirante AM, Bruno Alves.
- Você quer fazer uma peça, todo artista quer fazer onde? No Teatro Arthur Azevedo. O futebol também é um espetáculo e precisa de um melhor palco, e precisa do Castelão – analisa o comentarista da Mirante AM, Roberto Fernandes.
Antigos e atuais ídolos sonham com novos jogos no Castelão
Muitos jogadores do Estadual também querem o retorno do Castelão. A maioria nunca jogou no Gigante do Outeiro da Cruz.
- Por incrível que pareça, eu tenho mais de 350 jogos no futebol maranhense, mais de 200 no Sampaio e mais de 150 no Imperatriz, e não tive a oportunidade de jogar no Castelão. Eu lembro das imagens, antigamente quando a gente via o Castelão cheio, sabemos que é um palco muito bom para o futebol e a gente espera que o Castelão possa ajudar.
Kleber Pereira despontou para o futebol nacional, após grandes jogos com o Moto, no Castelão, entre 1998 e 99. Foi quando marcou três gols contra o Sampaio, para um público recorde entre clubes maranhense, com 73 mil torcedores.
- Se voltar ainda esse ano, tomara que tenham muitos jogos no novo Castelão. É um sonho encerrar a carreira no Castelão - Kleber Pereira
Vale lembrar, que o Castelão também já justificou o nome de gigante para outros jogos, sem envolver a Seleção Brasileira. Em 1997, 70 mil tricolores, viram o Sampaio ser campeão da Série C e no ano seguinte, 95 mil torcedores acompanharam a semifinal da Copa Conmenbol, entre Sampaio e Santos.
Entretanto, o Gigante do Outeiro da Cruz vai voltar menor. Projetado para 75 mil pessoas, chegou à receber quase 100 mil, mas agora terá a capacidade de 40 mil torcedores. A obra de R$ 24 milhões deve ser no mês de agosto deste ano. A reinauguração do estádio faz parte da comemoração dos 400 anos de São Luís.
Por : Syllas Sousa
Twitter : @SyllasSousa
Informações : Gobo Esportes MA



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