TÉCNICO FARGES FERRAZ.
Muito se discute sobre a importância do treinamento tático nas categorias de base. Até que ponto a tática influencia no desempenho de uma equipe de jovens? Em qual categoria deve-se priorizar a tática em detrimento da técnica? Qual a progressão de ensino da tática? São questões que permeiam a cabeça dos técnicos e professores de futebol.
Antes de falar no treinamento tático, deve-se compreender e entender a função e formação do técnico/professor. Muitos acham que treinar taticamente uma equipe de futebol é somente dividir dois times de onze jogadores, jogar uma bola e assoprar o apito. O treinamento tático envolve inúmeros fatores que podem influenciar positiva ou negativamente o desempenho, principalmente quando se fala em formação, ou seja, em categoria de base.
Para FREIRE (2003), o técnico/professor deve possuir algumas características para exercer essa função: deve ter formação pedagógica, além da formação técnica em futebol; deve participar ativamente da aula; deve planejar as aulas; deve fazer avaliação periódica de suas aulas; deve conversar sempre que possível com os alunos, sem se exceder no tempo e no assunto; deve ministrar atividades lúdicas e prazerosas; deve levar em conta as necessidades e interesses dos alunos; deve promover o rodízio entre os alunos, quanto mais novos, mais importante esse rodízio e deve ser flexível com os alunos, mas sempre sabendo impor limites, estabelecendo o respeito entre ambos. Segundo MICHELS (2001) o técnico deve ser genuíno, capaz de transmitir didaticamente cada passo da sua visão e ser apto a formular objetivos claros e reais, além disso, deve explicar aos jogadores os objetivos de cada treino.
De acordo com TRAPATTONI (1999) o técnico deve entender o momento de dar suporte e tranquilizar os atletas quando estes cometem erros, isso é fundamental no lado psicológico. O professor deve ter sempre como objetivo principal auxiliar o desenvolvimento dos alunos levando em consideração as características individuais (GALLAHUE; OZMUN, 2001). No caso de iniciantes, os técnicos devem evitar o excesso de conversa, procurando manter os atletas sempre em atividade (McGOWN, 1991). SANTO FILHO (2002) complementa que a capacidade de comunicação de forma adequada e precisa é fundamental no desenvolvimento do treinamento de futebol.
Ao se planejar um programa de treinamento para crianças e adolescentes, o profissional que irá planejá-lo deve conhecer bem os aspectos que envolvem a puberdade e aceitar a variabilidade individual em que eles ocorrem (TOURINHO FILHO; TOURINHO, 1998).
Segundo McARDLE, KATCH e KATCH (1991), o preparo acadêmico do profissional que irá ministrar um programa de treinamento é de fundamental importância, seja ele para jovens, adultos, idosos, sedentários ou atletas. A experiência prática é um aspecto tido como o melhor método, mas os autores acreditam que o conhecimento das razões do treinamento e do exercício seja fundamental para o adequado desenvolvimento do programa de treinamento.
O técnico tem a responsabilidade em relação à correta programação do treinamento (distribuição coerente das cargas gerais e específicas, do volume, da intensidade; observação das particularidades biológicas; oferecimento de corretas informações pedagógicas de acordo com a faixa etária e outras), à educação motora, intelectual e moral dos jovens (FILIN e VOLKOV; FILIN; SCHMOLYNSKI; MAGILL; FERNANDES, citados por AUGUSTI, 2001).
As considerações colocadas por muitos autores e estudiosos são bem retratadas na afirmação de Claparède, citado por WEINECK (1991, p. 246): “a criança não é uma miniatura do adulto e sua mentalidade não é só quantitativa, mas também qualitativamente diferente da do adulto, de modo que a criança não é só menor, mas também diferente.”
Enfim, conduzir um treinamento de futebol é uma tarefa complexa, que exige cuidado, planejamento, conhecimento, capacitação e criatividade.
O treinamento tático está diretamente relacionado com o desenvolvimento da técnica, com o condicionamento físico e com o preparo psicológico. Não se pode dissociar, no futebol moderno, independentemente da categoria, o treinamento tático, do treinamento técnico, físico e psicológico.
Não adianta o técnico tentar programar uma marcação pressão, se seu time não possui preparo físico para exercer esse tipo de marcação. Não adianta o técnico tentar programar um jogo a base de lançamentos longos se seus atletas não possuem qualidade técnica para realizar esse tipo de passe.
O desenvolvimento da tática está relacionado diretamente com a maturação, o crescimento, o desenvolvimento motor e a aprendizagem. O técnico deve estudar a fundo as características fisiológicas, morfológicas e maturacionais de cada faixa etária, para entender em qual estágio de desenvolvimento seus atletas/alunos se encontram e, com isso, aplicar a maneira mais adequada e eficiente de ensino da tática.
Até por volta dos 12 anos à ênfase no treinamento se dá pela técnica. A preocupação é aprimorar as habilidades motoras das crianças, desenvolver a inteligência espacial, o pensamento rápido, enfim dotar os jovens futebolistas de condições para a próxima etapa de aprendizagem, etapa essa na qual se inicia o desenvolvimento dos aspectos táticos no campo grande (11 X 11).
Ao longo da sua carreira, o técnico vai moldando sua filosofia de jogo. É necessário o conhecimento teórico e prático para estabelecer um esquema eficiente, mas é mais importante ainda, saber empregar esse conhecimento adquirido para obter um desempenho satisfatório.
A tática é idealizada no todo, ou seja, num plano estratégico maior e depois executado em partes durante os treinamentos.
Sua origem vem da palavra grega taktiké, que significa a arte de manobrar tropas. Segundo FERREIRA (1995, p. 626) “tática é o processo empregado para sair-se bem num empreendimento.” Para Cech, citado por DRUBSCKY (2003) tática é a capacidade de desempenho individual ou em time de oposição a um adversário. De acordo com LEAL (2001, p. 99) “tática significa o planejamento e a execução racional de dispor jogadores em campo, para sair-se bem e tirar proveito em dada situação, surpreendendo o adversário e dominando-o, em consequência.” Conforme MELO (1999, p. 38) “tática é a arte de combinar a técnica individual de cada jogador, em suas diferentes linhas e posições, de modo a obter o máximo de rendimento do conjunto, em um determinado jogo.” Para o técnico português José Mourinho, citado por OLIVEIRA et. al. (2006) é um conjunto de princípios que dão forma ao seu modelo de jogo.
Sistema Tático
“É o conjunto das táticas que determinam as ações e características de uma equipe em campo. Compõe-se de ideia de jogo, desenho tático, esquematizações, variações, posturas, sistemas de marcação, detalhes táticos e estilo de jogo. Por convenção, adotam-se as denominações numéricas, 4-3-3, 3-5-2 ou 4-4-2, por exemplo, para nomear os sistemas táticos no futebol” (DRUBSCKY, 2003, p. 93).
Esquema Tático
“É um elemento importante do sistema tático. Exemplificando, é uma movimentação de campo previamente determinada e treinada entre alguns jogadores e ou setores da equipe. As esquematizações táticas são jogadas ensaiadas que fazem parte de um contexto de táticas maior, denominado sistema” (DRUBSCKY, 2003, p. 93).
Estratégia
“Estratégia é planejamento visando a atingir determinado objetivo, explorando os fatores favoráveis e usando os meios disponíveis, quando, onde e como quiser” (LEAL, 2001, p. 99).
No futebol, a estratégia adota a mobilização, a concentração, o reconhecimento, as coberturas, perseguições e outros meios, visando a vitória final.
Exemplos: Marcar pressão desde o começo; atrair o adversário para contra-atacar; jogar defensivamente para garantir resultado; marcar determinado atleta individualmente e outros.
Sistema de Jogo
Segundo LEAL (2001, p. 33) sistema de jogo é “a distribuição dos jogadores de um time em campo, em estrutura organizada, coordenados e unidos por princípio de interdependência, com funções definidas que se complementam e que se movimentam, visando, com o menor esforço possível, alcançar a melhor produção e resultado.”
Plano de preparação desportiva
•COMPONENTES DO PLANO
•Técnico
•Tático
•Físico-fisiológico
•Psicológico
•Administrativo
•Sócio educacional
•Clínico
•Metas curto, médio, longo prazos
Divisões do treinamento na preparação em longo prazo no futebol
Fases e etapas de preparação em longo prazo
Fases Etapas Tipo de preparação Objetivos Idades Categoria
Preparação Básica 1ª etapa 2ª etapa Preparação Preliminar Especialização Inicial Formação Básica
Formação Básica 6/7 a 11/12 anos 13 a 14/15 anos Escolar e Mirim Infantil e Juvenil
Preparação
Especializada 3ª etapa 4ª etapa Especialização Profunda Realização Máxima das Capacidades Desportivas Formação e Rendimento Rendimento Máximo 16 a 17/18 anos 19 a 26/28 anos Juvenil e Junior Junior e Profissional
Longevidade
Desportiva 5ª etapa Longevidade Desportiva Manutenção dos Resultados Máximos Acima 28 anos
Profissional
Programa de Treino e Organização dos Componentes da Carga:
1.Período do Treinamento – Período de Preparação,
2. Estado de Treinamento do Futebolista - Avaliação Física;
3. Características Fisiológicas e Motoras da Modalidade – Prescrição, Controle e Metodologia.
•Elaboração do Programa de Treinamento
Características Fisiológicas e Motoras da Modalidade – Prescrição, Controle e Metodologia.
Métodos dos Treinamentos
Resistência aeróbica, misto aeróbico-anaeróbico.
Velocidade, resistência de velocidade e aceleração amento de Fisiologia/Prep. Física
Quais as diferenças básicas do trabalho de preparação física nas categorias de base e no profissional?
•Os atletas na categoria de base ainda não atingiram a sua maturação biológica. Eles estão sendo preparados para que futuramente sejam atletas profissionais. Então, dentro de cada categoria são colocados trabalhos, exercícios adequados para cada categoria, para que quando atinjam a categoria júnior (a última categoria de base – 20 anos) estejam próximos aos parâmetros dos profissionais e atletas com índice olímpico ou mundial.
MICROCICLOS DE TREINO
•ORDINÁRIO
•FASE DE ESTÍMULO 3X 70%
•FASE DE RECUPERAÇÃO 4X DECR 60 A 20%
•CHOQUE A
•FASE DE ESTÍMULO 4X 80-90-100-90%
•FASE DE RECUPERAÇÃO 3X 80-60% E DT
•CHOQUE B
•ESTÍMULO 3X 80-90-80%
•RECUPERAÇAO PARCIAL 1X 60%
•ESTÍMULO 2X 90-100%
•RECUPERAÇÃO 1X DT
MICROCICLOS COMPETIÇÃO
•PRÉ-COMPETITIVO DURADOURA
•FASE DE ESTÍMULO INTERCALADO 4X 80-100%
•FASE DE RECUPERAÇÃO INTERCALADA 3X 40%
•PRÉ-COMPETITIVA CURTA
•FASE DE RECUPERAÇÃO 4X 80-70-60-50-40%
•FASE DE ESTÍMULO 2X 90-100%
•COMPETITIVO
•ESTÍMULO E RECUPERAÇAO PARCIAL EM FUNÇÃO DA ORDENAÇÃO DOS JOGOS OU EVENTOS
MICROCICLOS COMPLEMENTARES
•RECUPERAÇÃO
•RECUPERAÇÃO 2X (3X DECR 70-40-20%)
•COMPETIÇÃO 1X 100%
•TRANSIÇÃO INTERTEMPORADA
•FASE DE ESTÍMULO 3X 40-50-60% 3X 50-60-70%
•FASE DE RECUPERAÇÃO DT
•CONTROLE
•ESTÍMULO NEUROMOTOR – HABILIDADES OU ALÁTICO
•RECUPERAÇAO PARCIAL AVAL MÉDICA-COMP CORP
•ESTÍMULO CAPACIDADES CONDICIONANTES 100%
•RECUPERAÇÃO DT
Medidas da Massa Corporal, Estatura e Envergadura.
Medidas de Espessura de Dobras Cutâneas
Nove dobras: Faulkner, Pollock e Guedes/3
Resistência anaeróbia lática
Teste de 300m e RAST
Avaliação Neuromuscular
Avaliação da Velocidade
Teste de 30m
Avaliação da Agilidade
Teste de corrida sinuosa de 11m
Elaboração do Programa de Treinamento
Estado de Treinamento do Futebolista - Avaliação Física
FICHA DE ANALISE E AVAL. MATURACIONAL
NOME:___________________________________________________________IDADE:_____
ONDE NASCEU? _________________________________________________________
POSIÇÃO: ______________________________________
QUANDO CHEGOU AO CLUBE?______________
ONDE MORA? ___________________________________
MORA COM QUEM? ________________________________
FONE: _________________
ESTUDA: _______ SÉRIE: ________ ONDE: _______________
DOENÇA ANTERIOR?______________
CIRURGIA:____________________
LESÃO/FRATURA:_______________________
ALERGIA: _______________________
INSÔNIA:________________________
MEDICAÇÃO:_____________________
ALGUM PROBLEMA?______________
MEDIDA DA MATURAÇÃO SEXUAL
Rapazes:
Pelos axilares:
( ) ausência ( ) presença parcial ( ) presença total
Data: ____/____/ _____
Pliométrico
Potência, resistência de força e força máxima.
Rampa
Força geral
Tração
Coordenação
Prevenção
Alongamento/ Flexibilidade
Acompanhamento: Avaliação e Controle
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