Valério Luiz: Existe limite para a liberdade de expressão?

 Por: @DayRodrigues_Jo


A imprensa esportiva, não só do Estado de Goiás, como do Brasil está assustada com o assassinato do radialista e comentarista de rádio e TV Valério Luiz, 49, filho do apresentador Mané de Oliveira. A morte de Valério Luiz se transformou em um assunto nacional e chocou, não só a galera do esporte como a sociedade num todo.

O radialista esportivo foi assassinado, em uma tarde de quinta-feira, no dia 5 de julho de 2012, por volta das 14hrs, no bairro Serrinha, em Goiânia (GO). Populares disseram que Valério estava dentro de um carro e foi abordado por um motoqueiro, que disparou vários tiros contra ele.

O crime aconteceu em frente á rádio Jornal AM, onde Valério trabalhava. Testemunhas disseram que o motoqueiro estava há algum tempo na porta da rádio esperando por Valério. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado, mas ele já estava morto quando a equipe chegou ao local. Mané lembra que ao receber o telefonema sendo informado que o filho teria sido baleado, perguntou “já providenciou a ambulância?”, mas quando chegou ao local do crime e se deparou com o filho morto, se desesperou e em prantos, por vezes gritou: “Eu sei quem foi o desgraçado que matou meu filho”. Em entrevista Mané nos disse “Eu não desejo nem ao maior bandido do mundo o que fizeram comigo”.

Este é o primeiro caso de homicídio, de que se tem notícia, registrado no jornalismo esportivo brasileiro. A Polícia Civil está com as investigações avançadas, mas assumem que a conclusão do inquérito tende a demorar, já que, segundo o delegado Hélliton Carvalho, “queremos chegar não apenas no executor, mas no mandante”. Mané de Oliveira, não se priva ao falar “O mandante suspeito é pessoa poderosa. É preso hoje e amanhã é solto.”, e completa: “Eu, você, toda a imprensa do estado e do Brasil, a sociedade goiana, todos sabem quem matou meu filho”.

A imprensa, as autoridades e a sociedade, lamentam o fato e aguardam com expectativa o fim das investigações pela Delegacia de Investigação de Ho-micídios de Goiânia. “A gente se encontrava sempre na cozinha, tomando um cafezinho, batendo um papo e era bom.”, lembra Cassim Zaidem. O presidente da Associação dos Cronistas Esportivos de Goiás, Romes Xavier, afirma “o as-sassinato do Valério não vai calar a imprensa esportiva do Estado”.

Questionado sobre a segurança e a liberdade de expressão, Mané de Oliveira diz: “Eu tenho certeza que o Valério morreu por não ter medo de dizer o que pensava”. E lamenta o fato de que “existe lei até ser direcionada á uma pessoa rica, quando a pessoa tem dinheiro, não existe lei.”. Por duas vezes, Manoel foi atacado, a primeira em um assalto e a segunda em seu clube, a presença dos bandidos e ameaças com armas, pode ter ligação com a morte do filho.

Há quem avalie que o crime só será esclarecido, se a Polícia Federal entrar nas investigações, mais o delegado Hélliton Carvalho, da Delegacia de Homicídios afirma que “mesmo que policiais militares estejam envolvidos no crime e a polícia civil tenha contato direto com eles, isso não atrapalhará nas prisões”.

O comentário que pode ter levado Valério á morte, se referia ao Clube Atlético Goianiense, há suspeitas que a diretoria do clube tenha envolvimento, Mané afirma "Eu perdi o meu filho para o futebol". A esposa de Valério, Lorena Nascimento de Oliveira, conta que o marido recebeu ameaça de uma pessoa dizendo que iria "aposentá-lo”. A hipótese de que policiais militares também participaram, foi levantada. Segundo a delegada Adriana Ribeiro de Barros, “as suspeitas são morte por encomenda, vingança ou desavença”.

Mané de Oliveira chora ao dizer “a dor ainda está no meu coração, mas irei lutar até o fim para que os culpados paguem por aquilo que fizeram com meu filho”.

Confira o vídeo feito por Dayane Rodrigues para Tv Capital Goiânia:



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