Da boca para fora: argentinos negam torcida contra Brasil, mas se entregam

Argentinos acampados assistindo Brasil x Colômbia (Foto: Heitor Esmeriz)
O terreno estava armado. No acampamento argentino em Brasília, um telão foi instalado para passar as quartas de final entre Brasil e Colômbia. Um convite para secar. Esperava-se uma prévia da festa que o Mané Garrincha receberá sábado. Bandeiras, instrumentos musicais, provocações. Que nada. O que se viu foi um grupo de aproximadamente 100 hermanos contidos, até certo ponto desinteressados. Como se não importasse quem passasse. Como se, no fundo, vissem na chance de enfrentar o Brasil na final um motivo para não lamentar a classificação canarinho. No discurso, era a mensagem que tentavam passar. Mas os gestos entregavam que, caso desse Colômbia, também ficariam satisfeitos. 
- Eu torço para o Brasil chegar à final, contra a Argentina. Seria a melhor de todas as finais. Queremos o Maracanazo. Quero que seja sofrido, quem sabe nos pênaltis de novo, mas quero que o Brasil passe – afirmou Luciano Ali, como se prevendo o drama brasileiro para sair de campo com a vaga e como se o sofrimento brasileiro já fosse suficiente para ele. 
A poucos minutos do início do jogo, o vazio do local causava dúvidas. Onde estão todos os argentinos que prometiam invadir Brasília? Cadê o interesse deles pela partida do Brasil? Será que secar o Brasil não é importante para eles? Aos poucos, eles foram chegando. Mas as dúvidas, ficando. O pequeno número, a falta de empolgação, o sono de alguns. Nem parecia que era Brasil em campo em jogo decisivo. Talvez intimidados com a presença dos brasileiros na área reservada para eles, hermanos. Talvez porque o jogo fosse apenas um passatempo na véspera do duelo com a Bélgica. 
Thiago Silva, aos sete minutos, tratou de esfriar ainda mais os hermanos. Alegria do lado brasileiro. Do outro, nenhuma reação. Parecia que a comemoração brasileira não afetava. Mas bastou a Colômbia errar um contra-ataque, interceptado por Maicon, para apareceram os primeiros sinais de que a rivalidade falava mais alto. Falava mais alto que o próprio discurso. Mas esqueçam aquela empolgação de quando estão no estádio, apoiando a Albiceleste. Os hermanos, quando secam, ficam na deles. Sofrem calados.
Argentinos acampados assistindo Brasil x Colômbia (Foto: Heitor Esmeriz)Luciano Ali, o mesmo que disse “torcer para o Brasil”, passou o primeiro tempo inteiro com a expressão fechada. Esfregava as mãos no rosto. Bufava. Reflexo do domínio brasileiro.  Os argentinos se limitavam a reclamar de um erro ou outro da arbitragem e da Colômbia e também de ironizar os fogos de artifício na vizinhança. 
Com a melhora da Colômbia na etapa final, os hermanos também se animaram. Pouco, é verdade, mas deixaram transparecer mais a vontade de ver o Brasil sofrer. E o Brasil sofreu. Até David Luiz acertar uma falta perfeita e ampliar a vantagem. O 2 a 0 no placar fez os argentinos desapegarem. Mas só por alguns minutos. A esperança de acompanhar um fim emocionante renasceu no pênalti convertido por James Rodríguez. Apenas palmas e uma outra batida no tambor. Segundo eles, gritam gol apenas quando é da Argentina. Não importa o dos outros. Nem quando é contra o Brasil.
A pressão colombiana no fim não custou a vitória brasileira, mas ver a angústia dos torcedores de verde e amarelo já bastou para fechar a noite dos hermanos. Após o apito final, eles se recolheram para os motor homes. Para guardar energias para o dia seguinte, já que a vitória brasileira não foi o fim do mundo para eles, pelo menos tentaram passar tal mensagem. Agora, se o resultado for diferente do esperado contra a Bélgica, a reação será bem diferente.

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