
A desastrosa eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2014 ainda rende assunto, mesmo após a reestreia do técnico Dunga na Seleção. Para Pelé, não é necessário tentar explicar o que aconteceu com a equipe brasileira na fatídica semifinal contra a Alemanha. O histórico 7 a 1 foi simplesmente um “desastre”.
“Não é preciso explicar muito o que aconteceu na Copa do Mundo. Foi um desastre. Esperávamos algo diferente. Mas são coisas do futebol. Infelizmente, foi uma surpresa negativa para nós”, que também comentou a importância de Neymar, que não atuou nas duas derrotas do Mundial.
“No meu tempo, o Pelé era 10 do Santos, o Gerson era camisa 10, o Tostão, o Rivellino.... Quando montamos a seleção de 70, a melhor de todos os tempos, a maioria dos jornalistas criticava pois só havia camisas 10. Para se fazer uma seleção, é necessário uma equipe. O Neymar sozinho não vai ganhar uma Copa. Ele é muito bom, é uma cria do Santos. Mas precisamos de outros camisas 10 para ganhar uma Copa”, emendou.
A escolha de Dunga para substituir Luiz Felipe Scolari à frente da Seleção também agradou Pelé. O Rei acredita que o ex-jogador tem a seriedade necessária para remontar uma equipe marcada pelo fracasso no Mundial e também alerta para um dos maiores problemas do Brasil nos últimos anos: o interesse de empresários.
“O Dunga já dirigiu a Seleção. É uma pessoa confiável. Conheço o Dunga pessoalmente e sei de sua seriedade. Não é difícil remontar uma seleção brasileira. Temos bons jogadores, mas precisamos ter consciência e seriedade. Acho que um dos problemas nos últimos anos foi que a seleção brasileira, embora tivesse os melhores jogadores, sempre dependeu de empresários. O empresário não se interessa se o time vai vencer. O empresário quer é colocar seu jogador na Seleção”, disparou.
Ídolo maior do Santos, Pelé também acompanhou a polêmica envolvendo o jogador Aranha, hostilizado pela torcida do Grêmio com gestos racistas. Para o tricampeão mundial, o goleiro errou ao tentar parar o jogo na Arena do Grêmio e disse que a melhor atitude a se tomar contra o racismo é não dar atenção.
“O Aranha se precipitou em querer brigar com a torcida. Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo. Temos que coibir o racismo. Mas não é num lugar publico que você vai coibir O Santos tinha Doval, Coutinho, Pelé... todos negros. Éramos xingados de tudo quanto é nome. Não houve brigas porque não dávamos atenção. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo”, encerrou.
Fonte: Goal
Fonte: Goal
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