Ao
descer na estação Putney Bridge, beirando a parte sul do rio Tâmisa, já
é possível perceber a movimentação estranha. Jovens sul-coreanos
esperam seus amigos para logo caminharem por 15 minutos até Craven
Cottage, o acanhado estádio do Fulham que mais tarde receberia o
amistoso da seleção asiática contra a Croácia. No caminho tenho a
companhia de Mariane Aic, amiga do tenista Marin Cilic e ex-jogadora de
handebol frustrada.
Ela
conta que os croatas são apaixonados não só por futebol, mas por tudo o
que tem a ver com esportes. Mariane estava entusiasmada com o jogo
desta quarta-feira, principalmente com a ótima fase do atacante Mario
Mandzukic, do Bayern de Munique, e com a chegada de Igor Stimac ao cargo
de técnico.Claro, ela também se empolga para falar de Davor Suker, artilheiro da surpreendente Croácia na Copa do Mundo de 1998 e hoje presidente de futebol do país.
A parte de fora
do estádio já está repleta de torcedores, se assim podemos chamar. A
maioria dos sul-coreanos aparentava não passar dos 25 anos e passava o
tempo tirando fotos, comendo Burger King e escrevendo mensagens em seus
Ipads. Uma geração mais moderna de fãs.
Já
os croatas levam a tradição aos campos: grupos de rapazes se misturam
aos mais velhos, onde todos parecem se conhecer, e logo as conversas vão
fluindo. E o estádio do Fulham, que funciona desde o fim do século XIX,
tem mais o viés tradicional da Croácia do que o perfil asiático.
O frio intenso, adicionado ao vento que o Tâmisa recebe os visitantes e a fina garoa ajudam o Craven Cottage a começar a "encher". Em um estádio com capacidade para quase 25 mil pessoas, o amistoso recebeu no máximo oito mil espectadores. E de maiora da Coreia do Sul.
O frio intenso, adicionado ao vento que o Tâmisa recebe os visitantes e a fina garoa ajudam o Craven Cottage a começar a "encher". Em um estádio com capacidade para quase 25 mil pessoas, o amistoso recebeu no máximo oito mil espectadores. E de maiora da Coreia do Sul.
Do
lado de fora, Martin Jol, técnico do Fulham, entra rapidamente pelo
portão onde os ônibus com as delegações estacionaram. Ao lado, a estátua
de Johnny Haynes - 18 anos de Whites e maior ídolo da história do clube
do sul de Londres - recebe os convidados.
Na outra arquibancada central, beirando o famoso rio, o monumento mais controverso da história do futebol inglês (mundial?): Michael Jackson. Sim, o pop star morto há quase quatro anos era amigo do dono do Fulham, o empresário Mohamed Al-Fayed, e ganhou esta homenagem em abril de 2011.
Ao subir para a arquibancada, ainda é possível ver os jogadores se aquecendo antes do jogo. E quando os times são anunciados, os gritos começam a ecoar. Pelo lado croata, Luka Modric, Mandzukic e Ivica Olic são os mais festejados. Na Coreia do Sul, todos. Mal os nomes são ditos e os torcedores já gritam e felicitam todos os seus conterrâneos.
Davor
Suker também recebe aplausos quando cumprimenta os atletas já à beira
do campo. Campo que fica a menos de três metros do primeiro lance de
arquibancadas.
Em campo, uma Coreia do Sul com bom
toque de bola, mas pouca penetração na zaga da Croácia. Os europeus, por
outro lado, conseguem assustar nas bolas aéreas, pavor dos times
asiáticos. E uma bola ganhou merecidos elogios: o zagueiro Simunic
isolou e mandou uma delas para fora do estádio, com direção ao Tâmisa.
Saudações de todos os torcedores.
Os croatas iniciam um grito para incentivar seus jogadores, mas logo os sul-coreanos, os ensurdecedores balões e um senhor trajando roupa típica com um tamborzinho ecoando som de panela abafam o cântico rival.
Os croatas iniciam um grito para incentivar seus jogadores, mas logo os sul-coreanos, os ensurdecedores balões e um senhor trajando roupa típica com um tamborzinho ecoando som de panela abafam o cântico rival.
Gol
da Croácia, Mandzukic... de cabeça! Pletikosa faz um milagre em chute
forte da entrada da área e salva o empate. O capitão Srna marca um
golaço por cobertura, e o primeiro tempo termina em 2 a 0.
O
resultado final foi 4 a 0 para a Croácia. Os jovens sul-coreanos,
provavelmente, não gostaram, foram minguando ao longo do jogo, mas têm
os seus Ipads para desabafar. Ou não.

Mandzukic abre o placar para a Croácia em cabeçada

Jogadores de Coreia do Sul e Croácia perfilados para a execução dos hinos nacionais
Fonte: Espn


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